Início 2017-05-18T20:30:55+00:00
Escolhi essa foto pra abrir o blog porque é a minha vista de toda hora (tô mal de vista, heim?), foi tirada por mim e fiz um pacto de, a cada vez que olhar pro cristal, perguntar “é isso mesmo que eu quero? estou fazendo o que me faz bem? tô na minha?”. Assim eu quero viver e é isso que conta daqui em diante.

Para quem já sabe a história, Posts mais Recentes…

P.S.

Entre no link abaixo, quando aparecer Lindo bike, clique sobre [...]

29 de junho, 3.58am. Ciao, pessoal. Valeu!

Cheguei há poucas horas na casa do Celso. Dormi um [...]

Só mais uma palavrinha

Rodas para as Minhas Asas

No dia em que a minha luz encontrou pela primeira vez a luz aqui de fora, eu chorei!

Nesse momento começou o meu envelhecimento, palavra da qual tenho fugido com disciplina e sutilezas chinesas. E já que é disso que vou tratar aqui, quero me ocupar do meio e não do fim, viver o caminho, o que estou chamando de Percurso Rumo ao Envelhecimento (P R A O E).

Pensar nisso foi-se tornando inevitável, a realidade se oferecendo à minha cara de forma mais e mais presente, a ACCESSO escapando das minhas mãos, minha falta de vigor para segurá-la uma vez mais, eu reclamando dos valores e modos de ser (dos outros, é claro).

Mas eu não quero falar de ficar velha. Quero falar do meu jeito de envelhecer, mais que tudo no daqui em diante.

A vontade surgiu na hora em que decidi dar RODAS ÀS MINHAS ASAS e fazer um passeio de bicicleta na Itália a pouco mais de dois meses da decisão. Só para ilustrar o meu nível de pedaleira, ao contar a novidade para o meu irmão, toda alegrinha e me achando mais que descolada, ele perguntou “mas tem programa pra quem não sabe andar de bicicleta?”.

Essa sou eu hoje, ensaiando o gosto do no sense, meu oposto categórico!

Fevereiro 2017

Mudo um sofá do lugar e a sala fica enorme, a janela se escancara e põe em primeiro plano a vista deslumbrante. Penso que a vida é assim, do nada desatravanca.

21 de março

A Lúcia -minha amiga que não tem medo nem vergonha- me chama pra ir até a padoca no fim da tarde e me convida para um passeio (o quinto dela) de bicicleta na região de Parma e Verona com 18 mulheres. Vou desfiando nãos e, lá dentro, dizendo que sim.
(Noite em claro, é claro!)

22 de março

Digo sim por telefone.
(Reconheço minha alegria em relação à vida, abertura para o gostoso, coragem de ser um pouco louca; vibro com a minha disposição em abraçar essas 18 mulheres -eu que fujo de mais de três juntas!)
(Estou indo em busca de me relacionar com elas, sair da posição de observadora para ser participante, igual a todas, nem melhor nem pior)
(Pior ciclista eu não tenho dúvida, mas esse problema deixa de ser meu, minhas 18 novas amigas que não saibam)
(Vibro com a incrível sensação de enfrentar meus medos -há 11 anos não subo numa bicicleta- mesmo que enfrentar não signifique vencer)

24 de março

Compro minha bicicleta e procuro me equipar (suporte pro carro, suporte para a parede, bermuda de gel, luvas e capacete do Caio, meu amiguinho de 10 anos, filho do Reinaldo, amigo ciclista, que acompanha desconfiado a minha aventura).

IMG_0690

25 de março

25-03-soltandoasamarras

Lucas, bem que sei escolher meu treinador!

Meu primeiro treino no Parque Villa Lobos junto com o Lucas, treinador e fiel escudeiro. Pra quem ia me ajudar a alugar uma, comemora ao me ver razoavelmente equilibrada na minha própria bicicleta. Ele estende uma canga no gramado e me faz pagar o mico de um aquecimento em público. Depois põe aqueles obstaculozinhos coloridos no chão e me faz fazer um 8. Acertei! Quer dizer, não caí e ao 8 se seguem o 16, 44, 188. Primeira volta na pista, segunda, água de coco, registros fotográficos, a terceira. Wow!

Primeira volta na Bike, que domínio!

26 de março

Primeiro treino nos quarteirões aqui de casa, um pouco de subida e descida, carros, medo. O porteiro me incentiva, o guarda acena feliz, o administrador do prédio me pára na rua pra dizer que sou mais corajosa que ele.
(Comento com o Celso o medo de olhar pra trás e desequilibrar e ele, que sabe tudo da vida, manda eu me preocupar comigo, fazer bem a minha parte e deixar que os outros se preocupem com eles…. sabe ou não sabe tudo?)

Meu irmão, meu grande amigo!

TRAUMA, EM FALTA DE UM MELHOR NOME
MINHA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA CICLÍSTICA NO TRÂNSITO FOI EM ROMA QUE JÁ ERA CAÓTICA DESDE A ÉPOCA DO MARCO AURÉLIO. A BICICLETA DE UM AMIGO QUE DEVIA TER UNS CINCO METROS MAIS QUE EU. ME EQUILIBREI O QUANTO PUDE, FUI E VOLTEI SEM CAIR, MAS JUREI NUNCA MAIS NESSA VIDA REPETIR A PERIPÉCIA

29 de março

Treino no parque com esforço e me sentindo morta de sono. Foi o primeiro alerta do meu corpo que deu um grito porque, além de todo o excito da novidade, intensifiquei os treinos de musculação e aeróbica, que já acontecem por duas horas cinco vezes por semana. Achei que podia tudo e dei uma arreada.

3 de abril

Retomo o treino no parque e achei que depois de alguns dias de descanso ia barbarizar mas não foi bem assim. Fui apenas normal.
(Sinto a minha mão quase dormente e percebo que estou agarrada desesperadamente ao guidom! Não bastasse tudo, tenho que aprender também a relaxar…)

carlota-angela-cassiano

8 de abril

Primeiro treino na ciclovia. Vou de carro até ela porque não quero andar no meio do trânsito para evitar algum susto e não querer mais nem me arriscar. Tento ser delicada comigo. (viu Cleo?).
(Surpresa boa 1: descubro que sou capaz de pedalar e olhar o semáforo ao mesmo tempo!
Surpresa boa 2: ao contrário do que já estava me habituando, na bicicleta NÃO sou transparente, as pessoas me olham e uma boa parte dos homens sorri!!!
Mas na hora que eu estou me achando o máximo, dominando o pedal, cruzo com um cara que grita “Segue firme que você está indo bem!” Fui descoberta? Como? Deve ser essa minha tendência de esquerdista do Jardim Europa que, quando dou a partida saio pra esquerda e tremo mais que a veia do Loyola)

A árvore onde o blog nasceu / Sandra, minha intérprete junto ao Miguel, o arcanjo

10 de abril

Outro treino na ciclovia, quatro trechos. Percebo que curva aberta é mais fácil que a fechada (já ouvi isso antes) mas, em qualquer circunstância, tremo de medo dos ciclistas em sentido contrário (já ouvi isso também?)

PÉROLAS DO CAMINHO
FUNDILHOS MASSACRADOS!
FIZ ATÉ JUNTA MÉDICA, RECEBI MUITOS PARABÉNS E ALGUNS CREMINHOS MAS NENHUM MILAGRE. DISSO NINGUÉM ESCAPA!

14 de abril

Resolvo ousar, ir adiante e sigo na avenida do CEAGESP até o prédio dos correios. Engulo fumaça dos caminhões e atravesso mil acampamentos de nóias. Não gostei nada.

15 de abril

Retomo o meu pedaço entre a Faria Lima e o Villa Lobos mas estendo para seis trechos
(Gosto mesmo de coisa bonita como esse meu caminho que tem até um “momento Blue Ridge Parkway” com folhas de outono caindo das árvores e fazendo um tapete no chão. Lembranças. Sorte de quem as tem. Sorte de quem consegue se lembrar)

16 de abril

Treino de Páscoa, me acho!
(Resolvo fazer um treino/oração e penso em todos que já cruzaram na minha vida… lembro da primeira aula de francês quando eu estava tentando mudar do Dante para o Des Oiseaux… entro na classe, estão todas lendo, cada qual alto na sua vez, o Bourgeois Gentilhomme no original, com a naturalidade de quem está passando um texto sentada no colo do Molière. Sustaço! Ao final, vou falar com a professora e ela me diz que vou dar um passo mil vezes maior que a minha perna mas pra contar com ela, se de todo eu decidir dá-lo. Só podia lembrar disso na circunstância atual!)

18 de abril

Mais seis trechos de Alto de Pinheiros
(Encontro os jardineiros da prefeitura e sinto como o cheirinho de grama recém-cortada faz bem para os natururbanos)

24 de abril

Cada dia um pouquinho mais de esforço, dizia o meu querido Luluca, passo de seis para oito trechos
(Fico sabendo que as 18 mulheres viraram 20 e a adesão dessas duas últimas foi muito comemorada, amplia-se o meu raio de engraçadas corajosas.
Uma delas é a Claudinha, filha da Lu e minha afilhada de coração. Com ela, Lúcia, Tereza e Mazô já conheço quatro. Faltam 15!)
(Nem tenho pensado em estar velha, isso não é muito importante no momento. No grupo tem pessoas mais velhas do que eu e tem gente com a metade da minha idade. Entendo que a preocupação é outra. Me parece que todas se dão bem e estão lá por prazer.
Na pista também, conta o preparo físico, conta aguentar o tranco e não os anos de vida)

24-04-soltandoasamarras

25 de abril

Hoje foi médio. Saí de casa exausta e com sono. Tentei dar uns piques de corrrida por orientação do Lucas mas o efeito foi contrário. Fiquei mais pesada e lerda. Como se não bastasse, levei meu primeiro susto. Vi que o farol ia ficar amarelo, achei que dava, os carros aceleraram. Não caí, ficou tudo bem mas não precisava disso.

O dia também….vai envelhecendo…lindo!

28 de abril

Hoje tem greve geral no Brasil e eu fiquei com medo de me meter em confusão. Cancelei Watsu e o treino que eu ia fazer na rua com o Lucas. Acho que foi um pouco de cautela e um pouco de preguiça. Fiz minhas duas horas de exercícios de manhã. Daí dormi um montão.
(PRAZER E CULPA: essa é a sensação de não fazer nada! Que mania de achar que preciso ralar para estar viva, para merecer! Nessa altura da minha vida, essa culpa não deveria existir mas é o que mais pinta ao lado da insegurança com falta de grana)
(Eu não gosto de ficar falando a minha idade mas garanto que esse meu já longo caminho foi marcado quase que na totalidade por trabalho. Parar agora deveria ser um prêmio mas não temos muita capacidade de ver as coisas dessa maneira)
(Por isso a minha alegria com a decisão da bicicleta e de me unir a 20 mulheres com propósitos de vida para viver)

MESMO ASSIM PARECE DIFÍCIL ENTENDER QUE VIVER
VAI BEM ALÉM DO QUE TRABALHAR

(Como se não bastasse, a Vilma passou aqui e me levou tomar café e comer croissant de amêndoas. Pequeno detalhe pra completar o binômio PRAZER E CULPA)

29 de abril

Meia hora de treino de subida e descida (subidinhas e descidinhas) e estou com o coração pulando pra fora da boca.
(Nem conheço mas já sou a mais ardorosa devota da SANTA E-BIKE. Tenho certeza de que será ela a responsável por eu não passar os meus dias de Itália comendo presunto de Parma e tomando vinho em vez de….)
(Hoje o Conrado, amigo/grua, me aplicou a quarta Frequência de Brilho. Não sei muito do que se trata, não sinto nada ao receber o tratamento, mas tenho um forte palpite de que isso -seja o que for- está me ajudando a brilhar um pouquinho mais nesse momento. Coincide com o meu recente reacordar para a vida)

29-04-soltandoasamarras

Conrado, a grua que me conduz às alturas

30 de abril

PRAZER E CULPA SOBRE O DENOMINADOR COMUM DO DINHEIRO
NÃO SEI SE FUI EU QUE DEIXEI O TRABALHO OU ELE QUE ESTÁ QUERENDO ME DEIXAR. FICO DIZENDO QUE O UNIVERSO TRAMOU PRA EU FICAR QUASE SEM CLIENTE PORQUE NA VERDADE É O QUE QUERO E NÃO TENHO CORAGEM. O DINHEIRO OU A FALTA DELE OU A PREOCUPAÇÃO ATUAL COM A POSSÍVEL FALTA FUTURA É UMA CONSTANTE QUE PASSOU A OCUPAR A MINHA CABEÇA MUITO MAIS DO QUE EU QUERIA.

30-04

 

1 de maio

Logo cedo paguei um montão de contas e acabei me enfiando num mar de preocupações. Nessa hora caem por terra todas as minhas boas promessas e melhores intenções, ficam minimizadas as energias reavivadas na festa do candomblé que fui ontem à noite onde, mesmo sem entender, me sinto mexida com o som dos tambores. Arrastei o dia meio pesado até o meio da tarde quando fui treinar. Fiz novamente as subidas e descidas, não sem esforço, mas consegui fazer mais do que o dobro de voltas da última vez. Voltei um pouco melhor.
Estou lendo O Livro Tibetano do Viver e do Morrer (Sogyal Rimpoche). Melhor falar disso porque tem muito a ver com o que estou atravessando e vou voltar a ele várias vezes. Eu estava patinando naquela maré do “não estou fazendo nada de útil”, e leio sobre o que ele chamou de “preguiça ativa”, quando “abarrotamos a nossa vida de atividades compulsivas de modo que não sobre tempo para o confronto com os verdadeiros problemas”. Gostei. Até expiei um pouco os meus males.
(E lá vou eu, em menos de 24 horas, do candomblé pro budismo)

2 de maio

Que loucura é a minha cabeça! Não bastasse todo o resto, ando tentando boicotar a minha alegria com tric-tric de saúde. Felizmente tem o Santo Stella que, sem entrar em detalhes, keep me going. Ameacei aumentar a pressão, ele relativizou e eu fui pra rua. Montada na minha bicicleta, é claro. Treinei na boa, tentando ser boazinha comigo, e nessa consegui uma média horária melhor que as anteriores.

CONCLUSÃO: SEM NEURA, ATÉ BICICLETA ANDA MAIS RÁPIDO!

4 de maio

Primeiro treino na elétrica!!! Outro marco na minha aventura: a chegada da minha SANTA eBIKE!!!
Conto com um TRIÂNGULO MÁGICO A MEU FAVOR, minha “equipe técnica” (Stella, Cleo e Lucas, cada um na sua, tentam me provar que está tudo bem e eu posso!). O Stella agiu anteontem, a Cleo hoje cedo e, à tarde, chega o Lucas para me ajudar na desmistificação da ebike.
(Vi que ela não é uma scooter)
(Vi que o comando é meu)
(Sosseguei)
Dei uma boa aquietada nas minhas elocubrações mentais e sobraram certas questões práticas. A ebike vai bem no suporte do carro mas é pesada demais pra eu conseguir levantá-la sozinha no braço. Como não quero pegar trânsito, vou ter que rever o jeito de ir e voltar até a ciclovia. Isso será resolvido.
Tirar a bateria para recarregar em casa também se mostrou uma tarefa meio dura para a minha pouca força. Isso também será resolvido.
(Depois de ter vencido o medo da ebike VOAR a despeito da minha vontade, todo o resto fica mais fácil)

Dando uma fumaça no Lucas

6 de maio

Andei de elétrica nas subidas e descidas -não só nas subidinhas e descidinhas. Ousamos um pouco mais, lógico, junto, quase de mãos dadas com o meu querido, amado, protetor, o Lucas! Pegamos mais trânsito do que eu queria mas, sob cobertura, fiquei menos apavorada.
(Se essa viagem for o que eu estou pensando, vai ser o máximo: a bicicleta segura na descida, empurra na subida, me deixa pedalar; vou estar na Itália, entre 20 mulheres dando risada e procurando a parte boa da vida, estarei vendo paisagens italianas, de vez em quando um presunto de Parma… Meu! Essa viagem… o que mais eu vou querer? Tudo já deu certo, só falta viver isso!

9 e 10 de maio

Treinei na bicicleta normal e nos dois dias me senti mais cansada que o normal. Devia ser ao contrário. Será que eu vou de frente pra trás?
(Duas mulheres de bike riram pra mim. Ainda bem pois eu já estava rascunhando o TRATADO DO NÃO-SORRISO FEMININO!)

 

9-05b-solrandoasmarras

Alguém pode querer isso? A menos que esteja apaixonada por um sapato Louboutin

11 de maio

Dia de férias nas férias da vida! Estava indo direto do Maurício de Maio para o Irany e vi que ia chegar muito cedo. Fiz uma curva à direita e entrei no Parque Burle Max. Simples assim, às 3h da tarde, com a abertura e a disponibilidade de quem pode e a perplexidade de quem nunca teve um minuto livre em pleno dia de semana. Cheguei no parque de salto alto, físico e psicológico, eu diria. Adoro situações surpresa, enfrentar o inusitado mesmo que eu tenha que me equilibrar. Literalmente.

Houve baixa de duas participantes na viagem, duas tiveram que desistir. Voltamos a ser 18, que lamentaram fortemente a desistência das amigas. Pelos lamentos de todas no grupo do WhatsApp, elas devem mesmo se curtir muito. Estou adorando a chance!

11-05-soltandoasamarras

12 de maio

Dia de Watsu, nirvana da minha semana. É a minha melhor experiência de entrega, momento de “deixa rolar” com o que me presenteio semanalmente já por mais de um ano. É um lance de enorme prazer, que define as minhas sextas-feiras. Aos poucos vou aprendendo a ter mais prazer e menos culpa por fazer coisas gostosas, que me façam sentir bem. O parque ontem foi no mínimo muito interessante para pensar e sentir. Não há trabalho neste momento de Brasil que contemple novas contratações de imagem corporativa. Hoje isso é um luxo que as empresas estão postergando em nome de necessidades mais prementes.
(Do que me vale ficar em casa chorando por não estar fazendo dinheiro? Vou ficar sozinha, triste e continuarei sem dinheiro)
(Melhor viver e nutrir uma sensação de conforto e quando tiver trabalho estarei com a cabeça boa para ser mais criativa e estratégica)
(Dois dias sem treino de bike e eu já estou me cobrando. Difícil me corrigir)

Primeira camélia da temporada desponta na minha janela logo cedo

13 de maio

Treino de eBike, sozinha. Acordei ansiosa e percebi que estava com medo. Depois de uma semana com problemas de breque e acertos, comecei a fantasiar bobagens.

VOU COM MEDO.
VOU COM O CORAÇÃO BATENDO MAIS FORTE.
MAS VOU. E CONSIGO!

Deu tudo certo, apesar do parque estar super cheio de pessoas caminhando na pista. Fiz o treino como queria, consegui o esquema de logística idealizado. Voltei tranquila.
(Lembrei de Rita Lee, “tem que fazer? é pra fazer? vai e faz!”)
(O Jorge, zelador, veio me elogiar pela minha batalha ciclística, “minha força, apesar da idade”, ele disse)
(Se eu conseguir dar esse recado pra meia dúzia de pessoas, já será muito bom. Eu não quero que me curtam, quero ajudar a fazer pensar. E agir. Os outros e eu)

14 de maio – Dia das Mães

Choveu e não pude treinar para que eu não me distraísse nem um pouquinho da dona do dia. Minha querida Nitica, minha grande amiga, minha mãe incansável que até seu último dia por aqui queria me ensinar “como era o certo”.
A mamãe era uma festa! Escolhi essa foto porque mostra muito dela. A roupa típica, o sorriso, a sua igreja São José. Até a missa pra ela era um acontecimento, lugar de encontrar amigos, conversar com Deus. E nesse dia específico da foto, ela estava encerrando uma etapa nos seus moldes: para acompanhar a protegida Renatinha na sua primeira comunhão, mamãe fez o curso de catecismo quase aos 90 anos, fez (?) a roupa da Renata, fez a festa em casa! Essa era a minha mãe. Não era santa, não era perfeita, era o melhor que podia ser, uma linda mulher!

15 de maio

Treino de elétrica na ciclovia. 500 semáforos (72 na realidade) breca, anda, faz curva. Medo de curva fechada quando vem outro no sentido oposto! Mas vou. E faço. Não muito bem feito mas faço. E saio satisfeita.
(Por causa do Dia das Mães fomos inundados de mensagens, áudios e vídeos, alguns muito bonitos)
(O último deles chegou hoje e era supercomovente: mocinhos e mocinhas da minha idade falando sobre suas mães, inversão de papéis…)
(Essa gente só pensa nas mães e as coloca lá longe, lá onde nunca chegaremos, ou chegaremos tão lá longe que a gente nem pensa?)
(Ninguém pensa no QUE FAZER HOJE PARA EVITAR DEPENDER AMANHÃ?)
(Eu tento, faço o que sei e o que posso, pro corpo e pro espírito, para minimizar os problemas minimizáveis)
(Faço tudo com atenção e carinho. Explico pra Rizo que aqui em casa somos todos semi-novos, eu, ela, a Carlota, as persianas elétricas, as cortinas de cordinha… todas precisam de atenção e carinho!)

Carlota tomando yogurte desnatado​

16 de maio

Repeteco do treino de ontem na ciclovia, um pouquinho mais segura mas também um pouquinho mais cansada.
(Fui chamada para um trabalho. Para a possibilidade de um. Marquei a reunião, claro, porque a minha insanidade tem um limite. Mas, lá dentro, eu estava até contrariada, com má vontade)
(Acho que tem mesmo uma época certa para a gente trabalhar, após o que, o gás rareia. Depois que eu estou no batente, na hora de dar nó em pingo d’água, eu gosto e gosto muito. Mas, antes…. que preguiça!)

GRANDES MULHERES CRIAM FILHOS SAUDÁVEIS E SABEM COZINHAR. AS OUTRAS PRECISAM SER CRIATIVAS.

20 de maio

Desde ontem estou no sítio da Lúcia nutrindo amigos e cheiro de natureza. Sexta, 18, à noite, pusemos o blog no ar e eu contei dele para meus amigos via WhatsApp. Desde então foi uma chuva de comentários e observações.
(Lógico que adorei e estou curtindo até agora)
(Adoro meus amigos, adoro ter amigos. Conversar, construir. Se juntar isso a viagens e recursos para tal, acho que não quero mais nada)
(A prova de terem gostado e reagido bem ao blog feito da maneira que meu coração mandava mostra que, se você está seguro do que quer, consegue dar o seu recado e sempre haverá quem concorde com ele)
(Haverá também os que não concordam com você, claro. Mas contra isso nada pode fazer)
(Conseguimos partilhar um mesmo caminho e viver grandes momentos mas não arrastar na marra pro seu lado alguém que não queira estar ali)
(É o que estou tentando aprender: viver (a vida ou um momento) o melhor possível com quem QUER viver ao meu lado)

CABEÇA E CORAÇÃO SEGUEM CONFORTÁVEIS NO MESMO CORPO.
MAS POUCO TÊM A VER UM COM O OUTRO.

21 de maio

Hoje tenho mais certeza do que nunca de que os amigos -sejam eles em forma de marido, de irmão ou no original de amigo- são importantes sempre, mas nessa fase eles crescem e trazem vida à nossa vida.
Voltei de Santo Antonio do Pinhal muito orgulhosa de um fim de semana rico de conversa, risadas, informação, energia, muito vinho e brincadeiras.
Mais uma vez pela mão da Lúcia, fui posta no meio de uma turma já feita e, em três dias, voltei fazendo parte dela!

Zé, Edu, Dina, Adilia, Lúcia, Ricardo e Gianfranco, minha nova turma

Carlota ou Frodo, nossos amigos que não falam. Nem precisa!

22 de maio

Continua chovendo e não dá pra treinar. FAZER O QUE, ENTÃO? NÃO VIVER O MEU BRASIL? ENTERRAR A CABEÇA NA TERRA?
A viagem de bicicleta ou reconhecer o colorido das minhas pequenas alegrias não me impedem de ver o mar de lama em que estamos patinando.
Sensação de ter pouco tempo pela frente para limpar essa porcariada em que nos enfiamos a cada dia mais inacreditavelmente.
Passamos a vida aprendendo a nos mexer, remexer, pensar, agir, criar. E agora, atados pela incredulidade e pela pasmaceira, não conseguimos fazer a diferença.
Não conseguimos fazer diferença alguma!
Entre o desrespeito e a desfaçatez, entre bandidos que se multiplicam na velocidade da luz, nos sentimos usados, irrelevantes.
(Hoje entendo a reação incrédula do papai na época do confisco Collor)
Somos nada mais que massa de manobra sem nenhuma importância.

E por falar em amigos…. Rizo me oferecendo mexerica em flor

 

22, à noitinha

Nesse percurso de vida de jovens menos mocinhos, nada acontece num estalar de dedos. O blog, por exemplo, não bastou vencer o preconceito da satisfação pública e da pretensão de “bombar” (ui!), tive que aprender e reaprender o lance da tecnologia. E nesse momento, estou tendo minha última aula, com o Marcelo, irmão da Marina que criou a inteligência da coisa. Estou quase passando de ano.

23 de maio

Tempo bom, ufa!, fui treinar. Pedalei um pouco  mais do que normalmente.
(Viajei sozinha meio mundo e pelo menos metade da minha vida. Isso me valeu experiências únicas mas também dias intermináveis)
(Pedalar sozinha acho que é a mesma coisa, vou por mim, ninguém me distrai, posso me observar lato sensu. Mas, igualmente, as horas passam muuuiiitttooo devagar).

Quando a gente está bem atrai coisas boas!
Essas minhas novas amigas que ainda nem conheço … não fui parar nelas por acaso! Nem cheguei e já saí ganhando com o astral. Uma delas, que é muito bem-quista por todos (dizem que muito bonita além de simpática), acaba de virar bisavó. Isso mesmo, uma bisavó pedalando!!!

ALTRI TEMPI
QUANDO EU ERA PEQUENA, A VOVÓ ERA UMA SENHORA GORDINHA E QUERIDA, CABELOS BRANCOS, SENTADA NO SOFÁ COM UM CHALE, DE ONDE SE LEVANTAVA DEVAGAR PARA NOS OFERECER BOLO DE CHANTILY.
HOJE VOU FAZER UMA VIAGEM DE BICICLETA JUNTO COM UMA CICLISTA BISAVÓ!
ALTRI E MERAVIGLIOSI TEMPI

24 de maio

Hoje treinei no parque e -como era dia de semana e estava meio vazio- pude prestar atenção em quem estava por lá. Os mais diferentes tipos, as mais variadas atividades, mas ninguém com cara amarrada nem parecendo estar ali forçado. Vi um senhor bem alto, tipo nórdico, cabelos brancos, patinando; três jovens dançando rap na pista; um casal de idosos caminhando de mãos dadas e outro de gordinhos bem rechonchudos muito perto um do outro e andando na mesma cadência; mulheres juntas falando muito, é claro; mas também várias duplas de homens que davam a impressão de estar se incentivando mutuamente.

(Não sei se há uma receita para viver bem mas a disposição para tal me parece ser um requisito fundamental)

QUEM TIVER HISTÓRIAS PARA CONTAR DE BEM VIVER (GRANDES PERÍODOS OU GRANDES MOMENTOS), ME DÊ UM TOQUE NO CONTATO@SOLTANDOASAMARRAS.COM.BR. ESSE SERÁ O MEU PRÓXIMO PROJETO AQUI DO BLOG: APRENDENDO COM A VIDA REAL.

Markie e Horácio sendo felizes na cozinha, um dos seus locais prediletos

 

 

 

26 de maio

A Carlota ficou doente e eu quase tive uma síncope. Duas vezes no PS. Muito provavelmente problemas ortopédicos mas muito provavelmente também uma síndrome que é o Alzheimer canino. Meu Deus do céu! No nosso caso, nem muda o endereço. Ambas estamos atravessando alguma fase do mesmo percurso.  Ela, talvez, mais avançada que eu. Fico louca! Se pra mim é difícil entender, imagine para um ser que, como sempre digo, insiste em ter essa aparência de cachorro!!!
(Que constância na minha vida viver o amor e, em seguida, a partida)
(Ainda bem que tem a insubstituível experiência do amor!)
(Isso sim faz a vida valer a pena)

A GENTE VIVE O QUE TEM PARA VIVER,
NÃO TEMOS ESCOLHA.
MAS VIVER O QUE TEMOS PARA VIVER
DA MELHOR MANEIRA POSSÍVEL,
ISSO SIM É UMA ESCOLHA!

A insubstituível experiência do amor

 

 

27 de maio

Acabo de passar por uma experiência de abuso de poder. Depois de uma noite semi em claro, preocupada com a saúde da Carlota, com a viagem de bike, com a interferência de uma na outra, passei a manhã inteira numa queda de braço com a minha ansiedade. Não fui treinar, não tive coragem de deixá-la sozinha.
Acabamos voltando ao PS na hora do almoço e passando umas três horas por lá. Outro veterinário, mais exames. Saio com um possível diagnóstico de colite. Entre aliviada, esperançosa e encafifada, pergunto ao doutor sobre a hipótese de Alzheimer que o seu colega tão meigamente plantou na minha cabeça. “Ah, não não. Nenhum indício da doença nos exames”. Simples assim? E a minha noite em claro, minha pressão nas alturas, meus amigos assustados? Assim acontecia com o Luiz Antonio e com o papai, uma espécie de terrorismo dos homens de branco, que tentam exercitar o seu poder de nos apavorar adiantando diagnósticos assustadores antes de qualquer comprovação.
Ninguém arca com o meu desgaste numa hora em que cada minuto é tão precioso!?!

A Vera que sabe tudo de sensibilidade

 

 

28 de maio

Essa viagem com a Vilma para a Patagônia chilena já foi há tanto tempo mas até hoje eu me sinto um pouco alimentada por ela. Foi chic, alegre, muita caminhada, natureza deslumbrante, um pouco de xaveco, comida boa, vinhos ótimos (eu ainda podia beber sem ter dor de cabeça), grandes momentos de amizade, respeito e sobretudo risadas, muitas risadas.
Eu não tenho qualquer pretensão de soltar aqui  “pílulas para a felicidade”, até porque não sei nada delas, se é que existem. Mas tenho certeza de que foram os meus bons momentos reconhecidos e curtidos que fizeram e fazem a minha vida de hoje ser boa e saudável e eu ter sempre muito mais vontade de rir do que de chorar.
Acho que sempre tive o dom do reconhecimento. Sei o quanto isso me vale, e hoje -aumentando a minha consciência- aumenta a certeza de que não adianta apenas ter a chance das coisas boas. É necessário reconhecer, pôr pra dentro, acolher. Aí elas ficam e fazem toda a diferença. Ao menos é assim comigo e disso é feita a minha riqueza.

29 de maio

Treinei bem, normal.
(Preocupada com a saúde da Carlota, a minha, do Horácio, da Vera, do Eduardo – todos mocinhos mais vividos)
(Um pouco nervosa, ansiosa, com medo)
(A saúde esfrega na nossa cara a verdade de que a gente não manda nada, não abrevia nada, não pula nenhuma etapa)

VONTADE DE QUE HOJE JÁ FOSSE
DEPOIS DE AMANHÃ
MAS HOJE SEGUE O SEU CURSO
COM A SÁBIA LENTIDÃO DAS HORAS

Celso, Christopher e o lindo Nicolás

Entre a nossa família peruana, Gabriela e Patrick que darão a luz ao Kai hoje, já!

A maré da vida sempre tempera com alegria o que parece ser tristeza.
Penso nos meus queridos de lá e hoje eles relativizam o momento dos meus queridos daqui. Encerro o dia um pouquinho melhor.

30 de maio, cedinho

Kai nasceu, lindo e saudável

 

XÔ, DRAMA!

Chega de tristeza acalentada! Essa não sou eu, esse gênero nunca foi o meu! Fiquei boba, talvez consequência de muito tempo livre pra quem nunca soube o que isso significa. E talvez esteja aí uma boa ideia: aproveitar o tempo que ganhei, juntar tudo de bom que acumulei até hoje e aprender a viver esse meu momento.

Outro dia mesmo eu disse que as coisas acontecem querendo nós ou não e que isso, portanto, independe da nossa vontade. Mas é a nossa vontade sim, a nossa determinação que vai nos fazer lidar com o que nos acontece. Vai depender de cada um sofrer ou encarar o que se apresenta e resolver da melhor forma possível.
Ser feliz nessa vida é uma decisão e eu tomei a minha há muito tempo.

31 de maio

Hoje fiz um lindo passeio. O lugar era o mesmo mas o meu olhar devia estar diferente. Pela primeira vez desde que estou treinando, prestei atenção na beleza e diversidade das árvores que margeiam o meu caminho. Por todo o tempo, fomos trocando olhares e boas vibrações. Gosto muito de árvores, elas fazem toda a diferença!
Hoje a Lúcia vai oferecer um jantar para LES VÉLOS, vou finalmente conhecê-las. Está chegando a hora da viagem, milhões de coisas passando pela minha cabeça.
(Já estou bem mas as pegadas dos últimos dias ainda estão por aí. Eu não gosto quando fico triste. Não porque tenha que ser exemplar mas porque maus sentimentos não me fazem bem)

Vera e Tuca fazendo carinho na Carlota

 

Quando digo que estou bem de vista não é exagero

LEMBRO A TODOS QUE ESTOU COLECIONANDO MOMENTOS DE BEM-VIVER. QUEM TIVER VIVIDO OU CONHECIDO ALGUÉM QUE DEU UMA BOA SACADA, HORAS OU ANOS QUE TENHAM VALIDO A PENA, EXEMPLOS A SEREM CONTADOS E LEMBRADOS, QUE NOS ALERTEM E CUTUQUEM A UMA VIDA MELHOR, ME DÊ UM ALÔ NO CONTATO@SOLTANDOASAMARRAS.COM.BR. NÃO PRECISA SER NADA EXTRAORDINÁRIO, É DE GENTE E FATOS NORMAIS QUE O NOSSO MUNDO É FEITO. CONTÁ-LOS SERÁ O NOSSO PRÓXIMO PROJETO AQUI NO BLOG.

1 de junho

Ontem tivemos o nosso jantar, ponto de partida para a viagem que está bem próxima. Estava tudo bonito, alegre, descontraído e gostoso. Gostei muito de todas, leves e divertidas. Estou cada vez mais perto da minha aventura que vai bem além de um passeio de bicicleta. Significativos momentos, cheios de tantos e diversos significados.

Mesa posta pelo carinho da Lucia com o colorido charmoso das suas cerâmicas

Tulipas de chocolate feitas pela Claudinha

2 de junho, sexta-feira

Sexta-feira é dia de não fazer nada (quase) sem culpa! O prazer de ficar de pernas pro ar, grande e estranha sensação! Mas estou me educando arduamente para fazer isso com a tranquilidade de quem merece.
Fazer nada -no meu ainda deformado entendimento- significa não fazer coisas sérias como trabalhar, falar com o advogado, ir ao banco ou coisas obrigatórias como ir ao médico, cuidar da casa, buscar criança na escola….
Minha sexta começa com uma dose extra de exercícios porque o Lucas chega mais tarde. Depois disso, o melhor relaxamento no Watsu, que prazer!  É ele que define o ritmo do meu dia, em geral tranquilo. Banho demorado. Sessão cremes.
Hoje, por exemplo, fiquei uns três minutos inteiros só olhando umas tulipas maravilhosas que estão me fazendo companhia. Vou ler um pouco, assistir minhas palestras no YouTube. À noite, jantarei com amigos antigos e queridos -Bel e Peninha, Bia e Fernando- em Alphaville.
Ter vergonha de um dia desses é, no mínimo, falta de educação!

3 de junho

Hoje treinei no parque, lindo e colorido no fim de semana, cheio de gente de todas as idades. Sinto que dei uma estacionada na bicicleta. Estou em ordem, não tenho medo, não canso. Quando estou andando, ando bem. Também não tenho -nem acho que vou adquirir- aquela agilidade juvenil de ficar gingando em cima da bike, de ficar absolutamente à vontade. Sinceramente, me sinto bem no ponto em que cheguei. Se ficar assim, posso continuar por muitos anos e muitas viagens.
Com a eBike, encontrei o esporte da minha vida: fico por minha conta, à vontade, em contato com a natureza, pedalo, me mexo; quem movimenta a bicicleta sou eu mas ao mesmo tempo não me canso. Pra ser perfeita, só faltava ser mais leve pra que eu não dependesse de ninguém. Como está -27/28 quilos- eu não dou conta sozinha de carregar. Mas tá tudo muito bem!
(Na quinta-feira, recebi um recado lindo: na viagem, pra ir imaginando os meus problemas e dificuldades irem se soltando da minha cabeça e indo embora com o vento, ficando pra trás. Ao mesmo tempo, pra perceber, pela frente, chegarem na minha cara, um monte de flores, muitas, de todas as cores, vindo todas e tomando conta de mim. Achei linda a imagem. Vou tentar pensar nela toda vez que sentir o vento).
Parte da minha equipe técnica, meus amigos a seguir dão o apoio logístico que torna possível o meu projeto.

O Jorge, meu faz-tudo em casa, põe e tira a bike do suporte, carrega, cuida.

No estacionamento do parque, o Clau faz o pesado e deixa o passeio pra mim

4 de junho

Grande pretensão a minha achar que já tinha aprendido tudo o que tinha para aprender de bicicleta. Por conta de um evento que manteve o acesso ao parque interditado, tive de ir treinar mais tarde. E o parque não estava apenas lotado e colorido, estava superlotado, com gente saindo pelo ladrão. Apesar das placas dizendo que a pista da bicicleta não permite caminhadas e corridas, ela tem de tudo e de todos, em todos os níveis de aprendizado: bicicleta, bicicletinha, patinete, skate, patins, caminhantes, corredores, casais de namorado, triciclos, bicicletas duplas, enfim.
Tive que aprender a me virar entre todos, correr, brecar, ultrapassar, me equilibrar entre gente mais forte ou mais fraca que eu. Fiz de tudo mas acaba ficando um pouco boring e até tenso porque, como o meu domínio da coisa é restrito, não é tão fácil assim lidar com os percalços. Acabei indo embora mais cedo.
(Incrível como as pessoas que sabem mais -mas não sabem muito- têm pouca paciência com os que sabem menos. Os que sabem mesmo tiram de letra e não se incomodam com os demais. Na pista como na vida!)

No meio da noite

QUANDO FICAR SOZINHO PODE SER UM PRAZER!
ACORDAR NO MEIO DA NOITE, FAZER UM SUDOKO ROUBADO DO SONO, DESCER PRA COMER UM POLENGUINHO, ABRIR A PORTA, ACENDER A LUZ E NÃO CORRER NENHUM RISCO DE ESTAR INCOMODANDO OS OUTROS.

Noite sem sono…recuerdos de um palhaço 

8 de junho

Estou na contagem regressiva para o que a Solange chamou de minha aventura responsável. Vou para a Itália via Estados Unidos onde passarei uns dias com o Celso e quem sabe com a Patty. Nessa última semana por aqui até estiquei o aluguel da eBike mas o treino simplesmente não rolou porque choveu direto. Agora vou como estou, com o que consegui até aqui. Vou decidida a completar com sucesso essa experiência que -com sucesso- vem acontecendo há dois meses. Como estou me percebendo, minha visão  de sucesso diz respeito a outra natureza de vitórias.
O meu objetivo é bem maior do que a minha semana pedalando entre Parma e Verona. Lógico que aquele momento será o máximo e, espero, inesquecível.
Mas o lance todo -e por isso também o blog- tem a ver com a minha atitude num momento delicado da minha vida, onde busquei a alegria em vez de ficar chorando e lamentando os infortúnios que podem acontecer a todos, em geral, nessa faixa etária e nesse país que nos machuca tanto.

A foto abaixo é da noite do réveillon deste ano quando o Celso recebeu “as meninas da Cravinhos” na sua casa em Miami. Elas estarão novamente comigo no próximo domingo.

Vera, Celso, Lizette, Zica e eu

 

10 de junho, penúltimo treino

ITÁLIA À VISTA
RUMO A ESSA TERRA QUE AMO TANTO
E ALI ESTAREI DIFERENTE
COMO NUNCA IMAGINEI ESTAR
QUE BOM ME SURPREENDER!

Foi um treino bom, com um pouquinho prematuro sabor de nostalgia. Aquela sensação de já estou indo. Estou chegando lá, isso aqui é quase passado.
Tudo me pareceu familiar. Eu estava em casa, aquela coisa de fazer parte que não sei reconhecer tão comumente.
Eu como parte do Parque Villa Lobos, da Itália, da bicicleta?  Demoro tanto para sentir isso, me sentir parte, e não sei exatamente do quê. Incrível!
Bicicleta abridora de caminhos, nova e velha na minha vida.
Como esporte, mais que nova.
Como “veículo de pensamento”, o ciclista olhando para o alto, que escolhi para o ACCESSO, ideias por uns 25 anos, toda edição ali presente como propulsor de uma reflexão. Coisa de louco, nunca pensei e nunca soube de onde inventei aquele símbolo!

Surpreender mais que tudo a mim mesma!

12 de junho, teaser de bem-viver

FAZER DA VIDA UMA FESTA

Na minha busca de exemplos de bem-viver -que pretendo seja o meu próximo projeto aqui, a partir de julho/agosto- não posso deixar de ressaltar o estilo como a mamãe levava a vida, fazendo de cada desculpa uma festa. Nada mais emblemático do que o ‪12 de junho‬, quando seu aniversário assumia uma certa rivalidade com o dia dos namorados, claro, entre nossos conhecidos. Todas as amigas eram convidadas para a tarde e a elas se juntavam os maridos no início da noite. Cada vez a mamãe inventava alguma coisa e, mais ou menos nos últimos dez anos, passou a oferecer encontros temáticos, festa indiana, italiana, e assim por diante. Sem pedir adesões nem tão pouco aprovações (especialmente as minhas que poderiam soar reticentes), ela não só fazia a comida típica como surgia a caráter,  para a alegria de todos e especialmente a sua própria diversão. Ainda hoje, recebo em seu nome e nesse dia telefonemas das amigas, lembrando nossas risadas tão gostosas.
Assim é que ofereço a ela o meu último treino pré-Itália (ela queria tanto que eu andasse de bicicleta) e a foto da festa baiana. Mesmo com parte do rosto arrocheado (reminiscências de um tombo), ela não só manteve a festa como surgiu na sala com um tabuleiro de brindes na cabeça e cantando, feliz, O que que a baiana tem!

13 e 14 de junho, ciao Brasil/olá Miami

VIVER CADA MOMENTO, QUASE UMA MEDITAÇÃO

Mais um treinamento que venho exercitando há anos: faço bem devagar tudo o que é possível fazer devagar.
Corri muito a minha vida toda. Costumava brincar dizendo que tomava banho com a metade do corpo enquanto ia me maquiando com a outra metade fora do banho. Fui a adolescente que mais cursos e aulas particulares mantinha regularmente. Por muitos anos tive três empregos e por outros tantos, ao deixar a coluna de arte no jornal, mantive meu trabalho período integral junto com as aulas que dava na faculdade por várias horas de manhã ou à noite.
Tudo sempre vale a pena mas, desde que comecei a ter tempo para mim, decidi sentir o gosto de cada ação, mesmo que seja passar um email ou brigar com a NET por telefone.
Nas últimas duas viagens, consegui abrir, fazer e fechar a mala no dia anterior, deixando o dia da partida para não fazer nada bem devagarinho. Ou seja, ir começando as férias aos poucos.
Ontem já estava pronta às 9 da manhã, fiz mão e pé e fui almoçar calmamente com a Vera, após selarmos a promessa de que não falaríamos nada triste ou preocupante. Apenas abobrinhas por pura diversão. E assim foi.
Cheguei cedo no aeroporto, fiz tudo sem correria até hoje cedo quando cheguei em Miami para curtir meio a meio o meu irmãozinho e a calma do lago que vemos o tempo todo, ao fundo da sala.
Nessa brincadeira de me dar o tempo que nunca tive, tenho vivido alguns momentos inteiros e isso, se é que entendo alguma coisa, é uma das propostas do bem-viver.
Vou aos poucos, pouco a pouco, e uma hora chego lá.

Tudo sentido, tudo faz sentido

15 de junho, últimas compras

Luvinhas lavadas, quase a caminho da mala

Cabeça cheia de sonhos e fantasias: como serão as paisagens, quem serão minhas novas amigas, como vou me virar nessa invencionisse rumo a se fazer verdade? Fiz bem? Fui louca? Sonhei demais?
Fomos fazer as últimas compras -óculos, tênis- e juntar a eles um pouco mais de supérfluos que são o recheio do quase-desnecessário com o não-sei-como-pude-viver-até-hoje-sem-isso!
Contagem regressiva: faltam 7 dias!

20 e 21 de junho, 38 horas em modo viagem

As emoções começaram antes do que eu esperava. Meu voo pra Milão deu overbooking e tive que comprar Itália via NY, com direito a uma voltinha pelo trânsito entre La Guardia e JFK. A maioria dos voos estava superlotada, tarifas nas alturas, sobrou adrenalina para a família toda incluindo a Patty que veio me encontrar e partilhar mais compras e aflições com um final feliz.
Subimos com 40 minutos de atraso e eu achei que os sobressaltos tinham parado por aí. O comandante resolveu recuperar o tempo perdido e conseguiu graças a muita sacudida. Fiquei zonza, com dor de cabeça, náusea.
O transfer entre os aeroportos, que vem de meia em meia hora, levou 70 minutos para chegar e pegamos um trânsito danado.
Eu pretendia fazer o check in logo pra ir cuidar do meu enjoo mas pediram pra ver o cartão de crédito do Celso “só por segurança”. Claro que eu não tinha e a Internet para pedir uma cópia estava morta. Propus trocar o pagamento para o meu cartão mas isso significava comprar o voo no dia e PAGAR QUATRO VEZES O QUE PAGAMOS ONTEM.
Pânico! Me deram 20 minutos para não perder o ticket: eu sem conexão, Celso foi jogar tênis, levou a carteira e esqueceu o celular… Os italianos são arrabbiati mas sempre acabam amolecendo. O pessoal da Alitalia fez a ligação pra mim, achei a Patty que foi voando pra quadra de tênis e tudo acabou dando certo.
Depois de tudo isso achei que os desencontros podiam continuar com o trem para Parma mas saiu tudo bem.
Cheguei no hotel e tinha mil comunicados das Les Vélos, algumas a caminho outras chegando e eu perdidaça sem saber quem é quem mas ansiosa como uma criança no primeiro dia de aula. Amanhã é daqui a pouquinho! Me sentir ainda por aprender alguma coisa é -essa sim!- uma linda emoção nessas alturas da vida.

Ao meu lado, depois de olhar suas próprias fotos POR UMA HORA no facebook, dormiu!

22 de junho, começou a pedalada!

Sono morta stanca. Mortissima stanchissima para ser sincera. Vou escrever duas linhas para não decepcionar a minha legião de fãs, ui!
Nem tudo acontece exatamente como queremos, passei algumas fotos do celular pra cá mas acho que precisa de mais sinal do que disponho.
Vou pôr o que tenho aqui só pra não dizer que não falei de flores.

Mais uma lição, as coisas são como são e essa é uma grande lição!

Pra começar pelo menos bom, eu caí. Ia indo muito bem pro meu gosto e, de repente, muitos pedriscos e eu no chão! Foi chatíssimo, fiquei decepcionada, nervosa. Nada grave mas escoriações e roxos e que ficam feios. Surgiram amigas e carinho de todo lado, cada um contando os seus próprios tombos. Mas eu fiquei bem triste comigo mesma!
Que seja o único tombo e já será maravilha!
Uma outra coisa também chata, o calor está muito forte. Hoje andamos a 40 graus! Isso é muito difícil e deixa qualquer um exausto. Já tomei minha decisão para amanhã: se eu estiver inteira para pedalar, vou fazer o que der sem nenhum esforço mais forte; se o calor pesar, entro na van e curto todo o resto que tem de bom, o hotel charmosíssimo, as paisagens mais lindas, minhas novas amigas tão alegres e simpáticas, a boa comida. E assim será até o último dia. Eu sabia que o calor era um forte impeditivo para mim e não querer entrar numa queda de braço com ele é uma decisão de vida de muitos anos atrás.

Minutos antes de começar

Que menino de 9 anos já não teve um mais feio!

 

 

23 de junho, um dia melhor do que o outro

Acordei dolorida mas disposta. O roxo não ficou mais roxo e o inchaço não aumentou. O susto está amenizado. Saímos cedo e fizemos 38 km pela manhã, entre uma grande área de descida e depois muito plano, várias alamedas arborizadas, o calor menos desesperador, paisagens lindas. Eu tinha ameaçado que faria uns 10 km no máximo mas o tempo estava agradável e aguentei bem.
Almoçamos e depois disso o calor começou a aumentar muito, áreas de pedriscos (pânico!) e loopings. Nessa hora eu já estava feliz e satisfeita dentro da van com ar condicionado.
Fizemos uma visita muito interessante a uma fábrica de parmigiano regiano e agora estamos largados curtindo o calor no hotel.
Mais à noite, vamos aprender a fazer massa de macarrão. Por tudo que eu entendo de cozinha, devo ser melhor no pedrisco do que amassando a farinha. Depois do jantar temos uma festa do pijama e arrumar mala pois amanhã cedo já mudamos de hotel.

Boas expectativas

Lúcia e Cláudia, minhas amigas queridas

 

De madrugada

Estou adorando sentir os meus amigos perto! Quanta gente me escrevendo e dizendo coisas sábias sobre minhas andanças. Especialmente sobre o tombo!

O CELSO DISSE “CICLISTAS CAEM”
EU COMPLETARIA, QUEM VIVE LEVA TOMBOS.

Eu -que não sou de facebook mas mal-educada o suficiente para criticar o que não conheço- estou experimentando o gosto gostoso de ter meus queridos ao meu lado.
Como eu faço para agradecer? Devolvo uma ângela um pouquinho melhor mas toda roxa e dolorida? Por enquanto, divido com vocês o nascer do sol de ontem.

Ele nasce todo os dias. Mas às vezes se mostra mais bonito!

Um lindo bom dia

24 de junho, quase perfeito!

 

É uma coisa bem próxima da ideia que temos de LEVE e LINDO! É tudo o que sonhamos, com você enfiado por sua própria conta e esforço no meio da mais linda paisagem italiana. Não fosse o calor (caaaalllllloooooorrrrrrrr!), seria a viagem quase perfeita.
Consegui fazer 35 km, saindo da região da Emilia Romana e indo pra Lombardia. Depois van, única subida que da para aguentar nessa altura do passeio.

Se fosse pelas pernas, acho que aguentaria bem mais, mas pelo calor louco (medimos 45 graus no asfalto) é o que deu pra mim.
Depois chegamos em Mantova que se mostrou uma agradável surpresa.

25 de junho, como um filme

Sem calor, parecia que estávamos dentro de um filme, pedalando nos lindos bosques dos sonhos. Fui bem, curti, vi coisas lindas, senti minha querida Itália por dentro.

Drink de boas-vindas

Passeei ao lado do Rio Mincio, entre árvores, plantações, silêncio, barulho de risada. Paramos em Borghetto, uma das cem cidades bonitas da Itália, ou um título próximo disso, mas realmente lindinha.

Coisa de cinema…

 

 

26 de junho, folga!

Resolvi tirar um dia de folga. Estamos num lugarejo perto de Verona, o dia está lindo. O percurso seria bastante difícil e eu estou cheia de dores. Dormi, relaxei, li, passeei pelas redondezas, fiz alguns conhecimentos. Estou na minha e precisava de um tempo para refletir sobre o que estou vivendo. Quinze bandas de rap tocando na minha cabeça ao mesmo tempo!!! 

Alguns dos tantos azuis

Alguns mistérios…no nosso nariz!

Bom dia!

A certeza de que vou viver o presente e curtir cada minuto porque -agora sim- é só isso que resta para a temporada. As dores (reflexo da costela?) estão doendo mais. Mas não vão impedir o último passeio, a última curtida, a última brincadeira. Não é uma “última sofrida” porque podem ter outras, depende de escolha e -ainda bem- escolha minha. Hoje tenho a sensação de que encerrarei por aqui mas com a certeza da certeza alguma. Amanhã posso mudar de ideia. “Os reis podem, dizia o Natali. E completava, quem não pode mudar de ideia são os súditos”.  Já cheguei a achar a frase segregacionista. Hoje sei que sou rei do meu próprio mundo. Mas sou também o súdito. Mesmo assim, me reservo o direito de mudar de ideia.

Adoro todo claro que vem depois do escuro, túneis e janelas especialmente. E hoje tudo foi acontecendo lindo. Acordei pela dor e, ao ver as telhas e o rosa das flores, até gostei da dor! Em seguida, o colorido do último amanhecer com sabor de aproveite bem.

No capítulo de ontem, são esses os azuis que temos para o momento

Um pouco antes

Impossível  não registrar Verona, com tanto amor solto pelo ar! E no capítulo “olhar pra dentro”,  que bom, nessa etapa do percurso, ainda sentir e gostar desse amor todo solto por aí.

Que bom acreditar!

Que bom realizar!

 

27 de junho, até a última gota!

Dizem que no último dia, todo mundo escapa da pedalada mas não foi o que aconteceu, estavam quase todos lá. E valeu pois era um lindo passeio.

Gente de fibra: brinca mas leva a sério

Valeu Lu!

(mais…)

Wowww, saí viva!

Tinha pedrisco, um pouco de carro, caminhão, GPS querendo me assustar, até chover, choveu. E eu saí viva!!!

Difícil esquecer

Eu fui atrás e consegui!

29 de junho, 3.58am. Ciao, pessoal. Valeu!

Cheguei há poucas horas na casa do Celso. Dormi um pouco. Acordei, vim ver o meu lago. Estou nele. Vejo tudo dele que me integra a onde estou. Um pouco da água espelhada com reflexos de luz. Um pouco do céu com estrelas e pedaços mais claros que me deixam ver a silhueta das palmeiras, dos telhados. Ouço alguns ruídos que nunca tinha percebido. Fico com um pouquinho de medo.

QUANTOS RUÍDOS DEVEM EXISTIR AO MEU LADO
QUE EU NÃO PERCEBA
UMA CONVIVÊNCIA SEM MUITA CONSCIÊNCIA
QUEM SABE EU INTERFIRA NELES
QUEM SABE ELES INTERFIRAM EM MIM

Estou aqui pra dizer ciao pra quem acompanhou esse meu projeto, estou aqui especialmente para dizer ciao para a minha parte que esteve comigo nessa experiência.
Os meus amigos que tiveram a paciente delicadeza de viver ao meu lado esses últimos três meses são parte real das RODAS PARA MINHAS ASAS que hoje estão se encerrando.
Encerro um projeto privado que se tornou público para um público pequenininho que fala a minha língua. Vocês foram a razão disso aqui acontecer, não o passeio de bicicleta mas o significado desse passeio de bicicleta. Isso hoje acaba porque se acaba o dado objetivo com o que eu procurei provocar o público.
Peguei o gosto e seguirei com o meu blog mas daqui pra frente -e ao menos por um tempo- só pra mim e só a mim dizendo respeito.

LÓGICO QUE EU RELUTEI NESSA DESPEDIDA
CONTINUO DETESTANDO QUE AS COISAS SE ACABEM
MAS HOJE ENTENDO UM POUQUINHO
QUE ELAS PRECISAM DAR ESPAÇO

Eu ia ainda fazer um pot-pourri de fotos da pedalada e um pot-pourri de palavras, sentimentos, sensações. De fora pra dentro. De dentro pra fora. Ia ficar bonito. Mas seria, bem ao meu jeito, querer tirar mais do mesmo.

O QUE TEM AINDA PARA SER ESTICADO
E TANTO HÁ AINDA A SER ESTICADO
ACONTECERÁ AQUI DENTRO
E DENTRO DE QUEM TIVER EMBARCADO
PORQUE FOI PENSANDO NESSES QUE EMBARCARAM
E QUE VIVERAM À SUA MANEIRA
O QUE FUI BUSCAR À MINHA MANEIRA
QUE O MEU PRIVADO FICOU PÚBLICO
SE DEU CERTO, JÁ DEU
AGORA ELE É DE CADA UM

Pois é, o lago que eu amo tanto, exatamente no meio da noite quando as águas só brilham e não fazem tantas ondinhas, foi o cenário que escolhi e que está provocando esse delírio prazeroso. Provocando não. Apenas permitindo que seja expressado.

FICAMOS POR AQUI.
VALEU, PESSOAL!
VALEU???

Blog My Way

Há alguns meses, ao tomar minha água/oração quando acordo, me desejo FAZER COM QUE AQUELE DIA VALHA A PENA. Desde que comecei a escrever isso aqui, pensei num blog, em falar para outras pessoas, na possibilidade de envolver, motivar alguém com os meus pensamentos e com a minha atitude no caminho para o envelhecimento. Mas em nenhum momento pensei em escrever de forma atrativa como objetivo, usar artimanhas que os blogueiros usam para se tornarem interessantes. Na verdade, é um diário, linear, fiel a quem eu sou em cada momento, e sem a menor pretensão de ser FORA DO COMUM. Muito pelo contrário, estou tentando me mostrar como eu sou: MAIS COMUM ATÉ DO QUE EU GOSTARIA. É pouco mais do que um "meu querido diário". CONTA O QUE ESTOU FAZENDO COMO DEIXA PARA REFLETIR SE ESTÁ VALENDO A PENA. Ele é assim: sem esquecer do outro, o objetivo claro disso aqui é me agradar, fazer bem pra mim. Se alguém gostar, vou ficar muito contente. E então terá valido a pena!
ângela cassiano (sorry, mesmo desfocada, adoro esta foto )

Acho demais (a mais) destinar espaço para COMMENTS a cada post, mas se você quiser fazer algum, vou achar demais (de bom). Entre em CONTATO e fale tudo o que quiser me dizer. Se a mensagem for mais para os outros do que para mim, vou transformá-la num post.

contato@soltandoasamarras.com.br

Inscreva-se

Cadastre seu email para receber meus posts.

Galeria de Fotos